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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Gritar, ameaçar e humilhar uma criança são atitudes tão nocivas quanto bater



Seja aprovado ou não pelo Congresso Nacional, o projeto apelidado de "Lei da Palmada", que proíbe os castigos físicos e tratamentos degradantes de crianças e adolescentes pelos pais, já vem provocando mudanças. Desde 2003, quando começou a ser delineado, bater nos filhos tornou-se uma atitude politicamente incorreta, em especial depois que psicólogos, psiquiatras e educadores passaram a questionar seus resultados como medida educativa. É óbvio que é praticamente impossível saber o que acontece dentro dos lares, mas, hoje em dia, quem desfere uns tabefes, em local público, é alvo imediato de olhares de reprovação –e pode ter de dar explicações ao Conselho Tutelar. Some-se a isso os vídeos caseiros de flagrantes de violência e uma patrulha informal está formada.

Para os especialistas em comportamento, no entanto, não é só bater que é prejudicial e traumático. "Educar não é fácil. Não nascemos sabendo ser pais. Apesar de os tempos terem mudado, costumamos seguir os modelos que já conhecemos, de nossos pais e avós", explica o pediatra Moises Chencinksi"E, se não se bate mais, por ser politicamente incorreto, e de fato inadequado, busca-se outras formas de ‘opressão’ para ‘educar’: gritar, castigar, xingar, ofender, humilhar...", declara. E, por essa lógica, o próprio especialista questiona: quem gosta de ser humilhado? Quem aprende algo assim? Quem pode ser feliz sendo tratado dessa forma?


Na opinião da psiquiatra Ivete Gianfaldoni Gattás, coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo, primeiro é preciso entender que bater em um filho com a pretensão de educá-lo ou corrigi-lo é um engano, já que está apenas a serviço da descarga de tensão de quem pratica a violência. "Mas xingar, humilhar ou gritar, além de colaborar para que as crianças cresçam com medo e a autoestima prejudicada, nos afastam delas", afirma. Para Miriam Ribeiro de Faria Silveira, diretora do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo, quando os pais gritam o tempo todo com a criança demonstram muito mais desequilíbrio do que autoridade. "O pior é que elas também começam a gritar e ficam ansiosas, angustiadas e com muito medo, pois, onde deveriam ter seu porto seguro e soluções, encontram pais desesperados em se fazerem obedecer", diz.

A psicóloga Suzy Camacho concorda que a violência verbal é tão agressiva quanto a física, principalmente se os gritos tiverem uma conotação de ameaça: "Uma hora eu sumo e não volto nunca mais!", "Ainda vou morrer de tanta raiva", "Seu pai vai brigar comigo por sua causa!". "Diante de frases como essas, as crianças se sentem responsáveis por coisas que não são", explica Suzy. Ela também destaca o efeito devastador que os rótulos têm para a autoestima: chamar o filho de preguiçoso, bagunceiro, inútil, por exemplo. "Até os sete anos, a personalidade está em formação. Qualquer termo pejorativo pode marcar para sempre. Tente corrigir ou apontar a atitude, nunca uma característica", afirma. Exemplos? "Não gosto quando você deixa seu quarto desarrumado", "Você precisa prestar mais atenção no que eu falo" etc.



Para as crianças, a opinião dos pais e educadores a respeito de suas atitudes, da sua performance ou mesmo de seus atributos de beleza e inteligência são muito importantes na construção de uma personalidade. Ao perceberem que os pais não a admiram, elas tendem a se depreciar, o que pode culminar em casos de depressão, agressividade e fuga do convívio familiar. "Xingar e usar palavrões trazem consequências, pois é uma forma de depreciação. E como todas as crianças costumam copiar os pais, consequentemente, vão se comunicar dessa forma", diz Miriam SilveiraJá castigos cruéis despertam nas crianças a agressividade. "Nas mais extrovertidas observaremos atitudes hostis com adultos, com outras crianças e animais de estimação. Nas tímidas, as sequelas são angústia e ansiedade, sentimentos que podem impedir um desenvolvimento neuro-psíquico normal", diz Miriam.

Em muitos casos, a irritação e o cansaço causados por um dia difícil não conseguem ser controlados e o resultado acaba sendo a impaciência com os filhos. Os passos seguintes são a culpa, a frustração, a compensação para, no próximo dia, começar tudo de novo, num ciclo nocivo. Para os especialistas consultados por UOL Comportamento, a velha tática de contar até dez antes de tomar uma atitude drástica opera milagres. "Um adulto sabe que pegou pesado quando se sente angustiado. Dar um tempo freia essa sensação ruim e ajuda a esfriar a cabeça", conta a psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria. "E se os pais, mesmo assim, extrapolarem, sempre recomendo pedir desculpas, porque um grito ou uma palavra mais pesada causa um abalo na segurança que o filho tem nos pais. Admitir que ficou triste com o que aconteceu, que estava bravo, que exagerou, demonstra respeito e ajuda a recuperar a confiança e o carinho", afirma ela.


Fonte: site Psicoterapia Infantil






quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Bater para educar os filhos: você concorda com isso?


18/07/2012 | TAGS: EDUCAÇÃO POSITIVAPALMADA



Bater ou não nos filhos quando eles se comportam mal? Para a maioria dos brasileiros, a palmada é uma medida educativa e eficaz, não reconhecida por quem a aplica como um ato de violência, mas diversos estudos mostram exatamente o contrário.

Chinelo, cinta, empurrão, tapas, beliscões, puxões de orelha. Quando tudo parece falhar, pais utilizam a punição física em resposta a um comportamento inadequado das crianças. “Este tipo de violência é tão antiga que se confunde com a própria história da humanidade”, assinalam as pesquisadoras Paolla Santini e Lucia Williams, do Laboratório de Análise e Prevenção da Violência da Universidade Federal de São Carlos (Laprev/UFSCar).
Paolla e Lucia são autoras de diversas pesquisas sobre o tema e, recentemente, colaboraram com um artigo (Castigo corporal contra crianças: o que podemos fazer para mudar essa realidade?) para o livro digital “Comportamento em Foco”, organizado pela Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental. Nele, além de uma série de dados – resultados de pesquisas feitas tanto pelas autoras como por outros pesquisadores – elas desmitificam argumentos comumente utilizados para justificar o castigo corporal.

Porque não bater

Segundo as autoras, os pais utilizam o castigo físico como uma forma de controlar o comportamento de seus filhos – geralmente alimentado por uma expectativa irreal que os pais criam. “Quando o comportamento alvo inicialmente cessa, o comportamento coercivo dos pais é reforçado”, confirmam. Mas uma ampla pesquisa realizada em 2001 no Brasil com 894 crianças mostrou que os sentimentos que as crianças relataram não foram de respeito, mas dor, raiva, medo e revolta em relação aos pais, que deveriam ser modelos de apoio, carinho e segurança.
Mau gênio, temperamento difícil e respostas emocionais como choro, medo ansiedade e raiva, são alguns dos mecanismos que a criança que apanha pode desenvolver com o objetivo de desestabilizar o adulto.
“Bater ensina a criança a se comportar pelo medo de ser punida e não em busca de consequências positivas. A criança aprende que o modelo agressivo é aceitável para resolver problemas”, diz Paolla.
Um estudo realizado em 1998 com 17 mil participantes é o mais amplo encontrado na literatura sobre o tema da vitimização por violência na infância e os efeitos na saúde, conhecido como ACE Study (Adverse Childhood Experiences Study). A pesquisa buscou analisar a relação entre múltiplas categorias de traumas infantis e suas consequências para a saúde e comportamento na vida adulta. Os resultados mostraram que aqueles que relataram ter vivenciado quatro ou mais categorias de exposição à violência – entre elas abuso psicológico, físico ou sexual; violência contra a mãe pelo parceiro; viver com pessoas que faziam uso abusivo de substâncias -, em comparação àqueles que não enfrentaram qualquer tipo de adversidade, apresentaram de quatro a 12 vezes mais riscos de saúde relacionados ao abuso de álcool ou drogas, depressão e tentativas de suicídio; eram duas ou quatro vezes mais propensos ao tabagismo; e 1.4 a 1.6 em mais riscos de inatividade física e obesidade mórbida.

“Muitos dizem: ‘eu apanhei quando criança e sou uma pessoa bem sucedida e feliz. Apanhar foi importante para isso’. Mas, assim como pessoas sabem que o cigarro faz mal e continuam fumando, também sabem que a violência é inaceitável e continuam praticando-a. Há pessoas que fumam e vivem até os cem anos, mas isso não refuta os dados de que fumar leva à morte precocemente. As exceções são interessantes, mas não alteram os dados baseados em pesquisas científicas. Portanto, provocar dor ou medo não é a melhor opção.”
Outro argumento é dizer que hoje as crianças são mais difíceis do que em outras épocas. “Estamos vivendo uma mudança cultural, na qual os pais precisam estar mais tempo fora de casa e muitas vezes têm dificuldades no processo educativo de seus filhos. Assim, as crianças e adolescentes passam muito tempo sozinhas, na frente da televisão, do computador, do vídeo game, com pessoas que não são da família, que não se sentem responsáveis por seu processo educativo ou que não sabem como fazê-lo”, explicam as autoras. Para corrigir isso, elas indicam que os pais reservem momentos diários para participação, diálogo e afeto. “Limites e disciplina não são sinônimos de palmadas, tapas e beliscões. É possível estabelecê-lo sem utilizar estes recursos.”
“Lei da Palmada” não tira a autoridade dos pais

Um tema que tem provocado debate na mídia, o projeto de lei 7672/2010 conhecido como “Lei da Palmada” estabelece “o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob alegação de quaisquer propósitos, ainda que pedagógicos”.
Caso a lei seja aprovada, os pais que a descumprirem poderão ser punidos de acordo com sansões previstas no Artigo 129, incisos I, III, IV e VI do Estatuto da Criança e do Adolescente. Ou seja, os pais poderão ser encaminhados ao programa oficial ou comunitário de proteção à família, a cursos ou programas de orientação e obrigados a encaminhar a criança ou adolescente para tratamento especializado.
“A lei não tem como objetivo condenar ou perseguir os pais ou responsáveis. Ela visa melhorar a qualidade das estruturas de apoio e atenção aos pais, para que possam educar seus filhos de forma não violenta, bem como estimular políticas públicas como programas de treinamento para pais de orientação sobre práticas educativas positivas”, explicam as pesquisadoras.
Mas parece que ainda há dúvida entre a população. Uma pesquisa de âmbito nacional sobre este assunto, realizada pelo Instituto de Pesquisas Datafolha, concluiu que 54% das pessoas ouvidas são contrárias à aprovação do projeto; 36% são a favor; 6% indiferentes e 4% não souberam opinar. A pesquisa foi realizada no mês de julho de 2010, com mais de 10, 9 mil brasileiros com 16 anos ou mais.
Além da opinião sobre o projeto de lei, também foi perguntado aos entrevistados se eles já tinham agredido fisicamente seus filhos. Mais da metade, 58%, confirmaram. Outro dado mostra que 72% daqueles que responderam a pesquisa afirmaram ter apanhado dos pais quando crianças.
“Sendo assim, os entrevistados sofreram violência física por parte de seus pais e utilizam a prática contra seus filhos, apontando a manutenção do ciclo de violência entre as gerações”, concluem.

sábado, 27 de novembro de 2010

Criança vê, criança faz! Dê o exemplo!


A criança imita o adulto em tudo que faz! Cuidado com os exemplos!

Ps: O erro de postagem já foi resolvido, peço desculpas a todos pelo transtorno! Gostaria que aqueles que tinham postado seus comentários fizessem novamente, para que possam ser salvos. Obrigada e que Deus abençoe a todos! 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Uma geração em perigo!!

                                                 Ana Lucia Bedicks

            Nós faróis, ou nos colégios mais caros, a faixa etária infantil está à mercê das influências recebidas
Quando penso na crise moral e ética que assola nosso país, penso quase que instantaneamente nas crianças e adolescentes que estão em formação nestes tempos difíceis. Sabemos que a diversidade do Brasil faz com que grupos destas faixas etárias vivam em realidades diferentes. Estamos em meio a uma verdadeira batalha e estas faixas estão constantemente em situação de risco.

Não é difícil pensar em crianças e adolescentes em perigo, principalmente quando olhamos os dados estatísticos alarmantes ou simplesmente andamos por uma de nossas grandes cidades brasileiras. Milhões de crianças e adolescentes brasileiros estão diariamente nas ruas pedindo dinheiro, trabalhando, se drogando, se prostituindo e roubando, sem tempo ou chance para serem crianças e adolescentes. E nós cristãos do Brasil nos encontramos quase que anestesiados por essa realidade, que passa a ser parte do nosso cotidiano, a ponto de não ficarmos mais horrorizados ou indignados como deveríamos.

Será que nos esquecemos das palavras de Jesus em Mateus 25:45 “O que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo”? Muitas vezes tentamos nos justificar dizendo que o governo é corrupto e não faz a sua parte ou que o problema social no Brasil tem proporções gigantescas, iniciadas com a nossa colonização. Só que... Em Sua Palavra, a Bíblia, Jesus não nos pede para combater a corrupção ou resolver os problemas do país! Ele nos pede para dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede, vestir a quem não tem roupa, cuidar de quem está doente e visitar os que estão presos. E o quanto disso tudo, nós, como Igreja, temos feito?

Quero, também, chamar a atenção para um outro grupo de crianças e adolescentes em situação de risco. Um grupo que não está nos faróis ou abrigos das nossas cidades. São crianças e adolescentes que têm casa, escola, comida, roupas, assistência médica, mas têm também outras necessidades não supridas. Na verdade esse grupo está em situação de risco porque tem maior liberdade, livre acesso ao mundo e poder de decisão. Só que carecem de experiência, sabedoria e relacionamentos familiares para viver num mundo assim. São nossos filhos, sobrinhos, vizinhos.

As crianças e adolescentes são muito  influenciáveis e muitas vezes temos a impressão que a Igreja Brasileira ainda não descobriu isso! Todos os outros segmentos da nossa sociedade, da indústria, do entretenimento e até o submundo dos traficantes de drogas, já descobriram a vulnerabilidade dessas faixas etárias. Aliás, esses segmentos disputam ferozmente a atenção de nossas crianças e adolescentes, enquanto a Igreja, displicentemente os coloca nos porões, em segundo plano ou até mesmo no final da lista de prioridades. Se você já parou para ver o conteúdo ao que eles têm acesso nas programações de TV, nos filmes, músicas, games, Internet, escolas, áreas de lazer dos condomínios, nas festinhas, enfim, no dia-a-dia deles, você deve ter se dado conta do perigo que estão correndo.

Alguns podem dizer que crianças e adolescentes são responsabilidade dos pais e não da Igreja e em parte estão corretos. A Bíblia é muito clara quanto à responsabilidade dos pais, mas ela também fala da influência, ensinamentos e exemplos dos mais velhos sobre os mais novos. E o que dizer então da importância que o próprio Jesus dava às crianças? Nossas crianças e adolescentes são bombardeados por todo tipo de informação errada sobre família, amor, sexo, caráter e valores. Os meios de comunicação usam de todo tipo de estratégia para alcançá-los, não medindo esforços para conquistá-los e nós, como Igreja, insistimos em enxergá-los como um problema inevitável que se resolverá com o tempo. Pois o tempo é agora, o momento é este e o depois pode não existir.

Certamente não é fácil ser pais cristãos num mundo assim, mas não podemos abrir mão de nossos filhos. Ser um pai ou uma mãe cristãos é ter de remar contra a maré. Vamos levantar algumas atitudes que podem ajudar:

t  Passar valores bíblicos para   nossos filhos sempre que pudermos.

t  Ajudar nossos filhos a ter responsabilidade e fazer escolhas certas.

t  Ser um exemplo de honestidade e integridade para eles no dia-a-dia.

t  Acompanhar atentamente a vida deles, de forma que se tornem nossos discípulos.

Olhar e cuidar destas duas realidades são dois desafios diferentes para a Igreja cristã, mas nem por isso mais ou menos importantes. Afinal é uma geração inteira que está ameaçada, independentemente da camada social a que pertença.

Como mãe, líder de pré-adolescentes e participante do movimento Desperta Débora quero convocá-los a orar para que Deus nos dê essa consciência da situação de extremo risco das crianças e adolescentes do Brasil. Oremos para que Deus levante pessoas com paixão por crianças e adolescentes carentes de abrigo, de alimento, de amor, de relacionamentos, de valores, de educação, de carinho, de modelos cristãos e da Palavra de Deus. E assim, certamente, teremos menos corrupção  neste querido  país!


Ana Lucia Bedicks – É líder do ministério de pré-adolescentes da IBatista do Morumbi, em São Paulo,   e seminarista do Seminário Teológico Servo de Cristo. É casada com Fernando Bedicks e tem 3 filhos.